Desta mente não sai nada
Será que estou encalhada?
Ou seria da lampreia
Que preparei para a ceia?
Raio de cilindro alongado
Pôs-me o cérebro em mau estado
Eu agarrava-lhe a ponta
Escorregava-me, feita tonta
Escaldei-a na panela
E depois é que foi ela
A viscosidade era tanta
Que me fez pintar a manta…
Levou tanta esfregadela
E só entrou na panela
Prá famosa cabidela
Após tamanha barrela
Pedis, das melhores especiarias
Sem elas, não há iguarias
Pedis, tinto verde, maduro e vinagre
Bem ao gostinho do abade
Calicezinho do porto
E um pau de louro torto
Não vá o diabo tecê-la
E vossa fama, perdê-la!
Quem tão cara, vos atura
Neste tempo de conjuntura?
Essa vítrea cristalina
Do corpo, olho e narina…,
As sete fendas branquiais
Por onde toda sangrais…
Ai! …tudo me arremina…
Coisa esguia, feita fina!
…
Se não fosse o consorte
Por aqui não tinhas sorte
Se não fosse pla famelga
Não cozinhava esta melga…
Ais, não me levem a mal
Que eu pró ano ralho igual
Desabafos da cozinheira...
maria guida

















