Dizem os números que um ano cessou...e outro iniciou...Assim sendo,ou não,no tempo sempiterno,Eu Vou...Um abraço de muita paz e muito amor...a quem comigo, neste barco for...

Quando meu tempo mo permitir, porei neste espaço, o que e o quanto me possa brotar,para convosco desabafar...neste mundo de corridas, neste mundo de porquês...
01/01/2017
margui




domingo, 6 de agosto de 2017

tanta coisa boa!



Aquelas escadas de granito
Aquela  varanda  de madeira
Aquela estrada, o meu grito
...Prá minha  empresa Cimeira

Sonhava que esse trajeto
Me levava a outro lugar
Verdes, meus verdes anos
Mas maduro o meu sonhar...!

Cada nascer e pôr do sol
...me embebiam de ansiedade
O trilho pró meu farol...
Em busca da liberdade...

Única, mas era gostosa a dor...
Porque tinha ao meu redor
Um trio que me mimava
E me encantava!

Um corpo de avó que eu sentia mais pesado
Quase sempre sentado
Com regaço de ternura
Seus olhos, doces de  alado
Cediam pura serenidade...
Verdade, equidade...
...E lonjura

Outro corpo de tia avó, muito elegante
De riso estonteante
Braços e carinho que me enlouqueciam
Nos abraços que me queriam...

O outro corpo, o de avô, alto, potente
Que andava a cavalo e cantava contente
Com um coração do tamanho do Mundo
E sentimento profundo...

Ditavam-me regras
Responsabilidades, com carinho
E o almanaque Borda d¢Água
...Era nosso fiel amiguinho
...
Eu com ele, aprendia
...Letra a letra, o avô lia
Muito devagarzinho...
Com tal magia!
...
Não tinha o alfabeto orientado
Mas tinha letrinhas em todo o lado
Era-me um mundo encantado!!!
Com recheio espevitado...

Prognósticos ???para todo o ano,
Tinha tudo, com caetano
Astrologia,
Meteorologia
Provérbios e mezinhas
E também tinha adivinhas
Fases da lua
Agricultura
Mares e marés
Cultivos a pontapés
Calendários e efemérides
E algumas intempéries

Na quinta, muito se trabalhava
E o Borda d¢Água, bom jeito dava
...Empoleirada nas cerejeiras, eu sorria...
Cada ano, parecia um dia!!!

Tanta coisa boa!
Do cheiro da maçã assada à broa
Do presunto
Da matança, do unto
Da aguardente no alambique
Do ping ping ao despique
Da desfolhada
E da Tia que de Lisboa chegava
Mais civilizada...
E que um dia me indicou
O trajeto dessa estrada...!
...Tanta coisa boa!

Não há enciclopédia onde eu possa guardar
Toda a minha infância, neste lugar
Aqui a eternizo, com muita saudade
E um grande abraço de fraternidade!!!


Maria Guida

Agosto de 2017

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Janelas abertas...

Braços que se abrem e o mundo abraçam
Olhos que desvendam, nas nuvens que passam
Janelas abertas...sentinelas despertas...
Montanhas impossíveis de ignorar,
...porque estão em flor
Rios selvagens, verdes aragens,
...escaladas de amor...

Janelas abertas...magia de poetas...
E que o Mundo não consegue desvendar...
Porque a coragem da verdade,
Nos são mimo e festas                                            
Porque a sabedoria, da frouxa claridade
É o eterno amar...

Vestem-se alegremente, peles sentidas e pesadas
Pisam-se estradas quentes, por calcetadas
Enfatizando respostas de pura serenidade
Inconsiderada sempre, qualquer ambiguidade...

...Há sempre uma janela aberta...
Que agarra o sonho, o aperta
Linda magia encoberta...
Por vezes inquieta,
Galgando a melhor meta
Onde tudo, simplesmente, se completa...


                Mª Guida
                                                                       2017-07-28


quinta-feira, 20 de julho de 2017

Levo saudades...

Levo saudades...


Vou embora e levo saudades,

Deste leito à vela,
Deste armário,
Deste meio de informação
... talvez não...
E do cadeirão
Encostado à janela...

O mundo rola em conjunto
Ignoto em seu pelejar
Vamos despertar ao segundo
E ao segundo deixar rolar

Vou embora e levo saudades,

Levo saudades desta vidraça
Que fez tanta companhia
Quando o ego destilava
E eu sorria...

Levo saudades das peças brancas
Das azuis
Do sorriso mais alegre
Ou carrancudo...
Levo saudades de tudo!

O mundo rola em conjunto
Ignoto em seu pelejar
Vamos despertar ao segundo
E ao segundo deixar rolar

Nas paredes e nos tetos
Testemunhos de meu lugar
Deixo a minha energia
Que nunca será demais...,
Deixar...

Levo saudades do “desculpe”
Levo saudades do “está a doer?”
Levo saudades do “quem aleija mais?:)”?
..Afinal, todos eram iguais
No meu querer e poder...

O mundo rola em conjunto
Ignoto em seu pelejar
Vamos despertar ao segundo
E ao segundo deixar rolar...



MG                             Julho de 2017







E é deste meu retiro...

Qualquer inquebrável se trespassa
Plas forças da biomassa
Se o psicológico pertinente
Tenta vencer a alma à gente...

E é deste meu retiro
Que o olhar que eu respiro
Me convida a viajar...
São tantas as carruagens
Que em frente me deixam margens
E me obrigam a sonhar...

Umas me levam mais longe
Mais rápidas,mais elegantes
Vermelhas,na maior força
Fugazes, contagiantes...

Outra,no seu vagar
Parece querer-me convidar
A viajar pra mais perto
...não interessa correr...
Só devagar se pode crer
O que a vida tem de asserto😍

MG Julho 2017


terça-feira, 27 de junho de 2017

Mar azul
 
Neste mar azul, assento praça
Azul da paz, da serenidade
Com salpicos de humildade
Que me refresca e abraça

Na linha do horizonte
Ao nascer e pôr do sol
Minha vista é uma ponte
Meu corpo, o meu farol

A noite torna-se escura
De ternura embalada
E eu sinto uma doçura
Onde o “tudo” me é cura
...Porque dou conta do “nada”

Nesta orquestra encantada
Nesta cidade ambulante
...Calma, alegre, relaxante...
O embalo é miminho
Talvez noutra madrugada,
Me enfeitice igual caminho...


07/05/2017

MG

domingo, 25 de junho de 2017

Mãe

Mãe,

Como estavas linda! Mas sofrida!
No dia dezoito, naquele hospital
Naquela maca, naquele espaço amoral
Por quê, esperaste  seis horas, para seres atendida?..!!!

Dos meus alertas aos médicos
Sempre a mesma resposta:

_ Havia iguais idades, iguais situações
...Calma, muita calma, poucas atenções
Cada hora, a mais comprida...!

Quando foste atendida,
O relatório que te acompanhava, foi desmentido
Não era pulmão...
Era o sódio, o teu facinoroso perigo!

Por quê, aquela pulseira amarela?
Aquela espera, soltou-te a alma
Abriu-se-te indesejada janela
Mas,
Ainda lutaste
Ainda me ouviste
Ainda, com ténues gestos, me cantaste

Amavas cantar, lembraste?

Serenavas quando a neta te acarinhava os cabelos lindos, em vigília
Sempre foram para ti, as mãos mais doces da família...!

As tuas palavras, bem perceptíveis
“estou e não”
Ficam registadas
Nas minhas gavetas amadas
...Teus lábios e teus olhos, reviviam à minha canção do Sebastião
Cantava-la orgulhosamente a teu neto, na hora da refeição
Ele partilha-a a teus bisnetos e guarda-a eternamente no coração...

Mãe,
Nesse hospital tanto lutaste
Houve momentos que nos brilhaste
Que nos agitaste tua haste
Mas não conseguiste...
E, docemente, a vinte e um partiste...

...MÃE o transcendente, sempre connosco existe.                          2017-06-25                             


Tua filha MG