sábado, 28 de maio de 2011

Acolhamos a esperança, no sonho de cada criança


Acolhamos a esperança
No sonho, de cada criança!


Há poucos dias eu via
No blog de uma amiga
Chamar de” invenções parvas”
Alguns nomes da família

E ela tem toda a razão…

Hoje, em conversa de café
Fiquei de cabelos em pé!
Plo que diziam em vão…
A quem traziam pla mão

Afinal por quê chamam de meio-irmão?
Justificar que há promiscuidade de geração?

E por quê lhe chamam padrasto?
Pra vasculharem cadastro?

E o termo de madrasta?
Mãe ingrata, cruel, rasca?

Cá ficam os enteados
Nestes palavreados…
... Vítimas de pecados…

Não são todos por sinais
Puzzles duma família?
Pra que inventar nomes tais?
Que causam certa quezília?

E fala-se daquele e deste
E fala-se disto e daquilo
Dialoguem sem fedeste
Busquem o que é tranquilo!
Venenos de tanta boca…
Deixemo-nos de fofoca!
               
Mas que faço agora aqui?
Palavreando o que hoje ouvi?
_ Que injustiças neste mundo!
Quantas crianças magoadas
Que querem passado fundo!

Olhemos pro nosso umbigo
Não caia o céu de castigo
Porque nós somos do mundo
E todos nós temos fundo…
Que queremos perdoado,
Já que não é esquecido!
Queremo-lo sim, compreendido!

Acolhamos a esperança
No sonho, de cada criança!

maria guida

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Criança vitalícia


 
Esqueço a duração, vivo a intensidade
Afasto o realismo da vida, da idade

A vida não anda para trás
Também não quero que andasse
Se voltasse ao tenro tempo
E saber o que sei hoje
Decerto, eu nada mudasse!

Dias soprados pla solidão
 Faltava a briga de irmão
Mas sabendo o que sei hoje
Foi dádiva, sem confusão!
Esse presente, não me atirou longe
 Eu gostei, e parei nessa estação

E então…pra me vingar na razão:

_ Sou criança vitalícia!
Encanto, em cada estrelícia!
…Sou…
Mistério duma criação
Sem dogmas e religião
Mas com muita educação
…Tenho…
 Em cada amigo um irmão!
Possuo cada paisagem com meu olhar
Porque ela me pertence
Ela me ama, me convence
Simbiose na vivência, no lutar

…Às vezes…

Deito-me com o dia que nasce
Quando me enamoro có lua
Canto juventude em cada face
Mas prefiro o Sol à Lua

Esqueço a duração, vivo a intensidade
Afasto o realismo da vida, da idade

Sou criança vitalícia
Encanto, em cada estrelícia!      

maria guida

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Que branca!





Valia-me o meu cuidado
No parque do supermercado
Sempre que ia estacionar
Nunca esquecia o lugar
Confiança pregou partida
Que grande dor de barriga…
Adeus à lateralidade
Estou noutra realidade!

A idade não perdoa
E vai de ficar à toa
Em frente, direita, esquerda?
Que branca! Não posso crer!
Qual carrito, qual nada
Totalmente baralhada
E agora que fazer?

Parecia barata tonta
À procura do lugar
Valeu-me o segurança
Grande ajuda veio dar

Subi para o seu carrinho
Para o meu ir procurar
Lá fomos devagarinho
Até estava bem pertinho
Feliz, por o encontrar

Agora é bom que se diga
Que no final desta partida
Escangalhei-me ”cumamigaJJJ
Foi uma risota corrida
Redobrou a dor de barriga…JJJ

Qual aventurar, qual quê!
Eu!:) Esta não esquece, não!
Toca a escrever na agenda
O número que está no chão

Minha cabeça, não me prega outra
Isto é um ponto de partida…
Toda a cautela é pouca!


Adeus à lateralidade
Estou noutra realidade!

maria guida

sábado, 14 de maio de 2011

Poderá?


Poderá o homem
... Controlar esta vida?

Há frémitos de vida, amiúde
Que me mostram a magnitude
Destes véus, envoltos em mistério
E que abanam, destroem o planisfério…

Vejo Terra e dias de sol, agitados violentamente
E deparo com o meu cérebro indolente
Que à alma e a estes poderes, dá acouto
Num pensar, sofrer e  amar…que é tão pouco!

Que poderei eu fazer, a não ser rezar
Para, àqueles que tanto sofrem, poder ajudar?

Pode a aragem
Desmanchar minhas flores
Pode a chuva
Estragar meus frutos
Pode o sismo
Banhar-me de dor
Pode a mágoa, enrijar-me a alma
Que eu irei continuar a cismar,
Que eu irei continuar a lutar
Que eu procurarei uma força como mais-valia
Que a minha vida será sempre poesia…!

Que parar é morrer…
Alguém, um dia diria…

Obrigada Universo!
Sem a tua força, o que seria?

maria guida

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Sexta-feira, dia treze


Sexta - feira, dia treze
Até me esqueci, que o era
Fantasia que nos benze
Tudo isto é quimera

Explorado pela astrologia
E oculto pela astronomia
Treze na sexta, ou noutro dia
Em nada me influência…

Tiro o T e fica REZE 
Que é afeto e devoção                                               
É impulso que se preze
Para quê, superstição?

Dias de sorte ou azar
Por aqui não há lugar
Tive um dia super feliz
Com a amiga que eu quis
E presente inesperado
De um mochinho bem safado!

Bem-haja pela surpresa
É lindo de encantar
Até a minha coleção
Deu azo, a querer voar

Voar e mostrar ao mundo
Que ditos, não têm fundo.

maria guida

segunda-feira, 9 de maio de 2011

A cevada da Titia-avó


Andava eu passeando
E as montrinhas mirando
Quando parei bem surpresa
Ao encarar tal beleza

Belo pacote me fez lembrar
A caneca de barro a soar
A torrada bem quentinha
E o aroma? Quanto tinha…!

Há anos que eu não via
A cevadinha da Titia
O grande fortificante
Que o cérebro põe radiante                                               
Café pra ela, ai isso, nada!
Chamava-lhe estimulante
Bebia esta rica cevada
Que lhe era relaxante
Quem a via, a invejava
O quanto era elegante
No garbo de seu calmante!
                                 
Comprei, fiz e bebi
E criança eu me senti
Matei saudades de infância
Imbuída nesta fragrância
Bebida pura,... que deleite!
Sabe a chocolate em pó com café
E no leite,
Que saborosa que é!

O sobrante, meti na geleira
Refresco também, pra quem queira
E, se o tempo começa a aquecer
Mais gostosa é de beber...






Beijinhos de cevada
maria guida

sexta-feira, 6 de maio de 2011

tempos de convenção

 






Tempos de convenção


Branco, verde, azul e cinzento                                                  
Delicio-me nestas cores, neste momento
O céu areja-me numa brutal calmaria
Sinto-me inquieta nesta maresia…

Por quê, apenas neste mês?
Por quê apenas hoje?
Por quê apenas um dia…?!

… Estou plantada à beira-mar!
Só esta Mãe Terra me poderá acalmar!

Primeiro de Maio e primeiro Domingo
Este oceano atiça-me, desafia comigo
Chamam de mês do coração
Chamam de dia da Mãe,
Tudo por convenção
Eu detesto, o apenas Hoje
A minha mãe está tão Longe
Que desilusão!

Eu Grito a este Universo:

_ Os nossos e teus filhos, em teu barco navegam
Tu és a verdadeira Mãe, mas, a ti todos governam…
Não é Maio,
Não são os dias assinalados, que simbolizam:
 A mãe, o coração, a felicidade…
…,
É o alimento diário da família, num significado de amizade!

Há dias, de tudo e do nada,
Que palhaçada!
A fachada do consumismo
A família egoísmo!
 ...
Sinto que estou perturbada
Minha alma está zangada!
Batem-me, no peito,:) é o coração
Ele fala comigo e lamenta-se, quando lhe encosto a mão!:;

Ele diz-me baixinho:
_ Não stressem, atentem à saudade, que a alma chora
O espírito esvai-se, vai-se embora
E EU?!
Aqui fico, esfriado, dilacerado
Tantas vezes sou maltratado!
Durmam bem, comam saudável
Acariciem-se, com o que vos é agradável
E mexam-se
Mexam-se no físico e no pensamento
Não mintam, não desleixem, que eu me atrapalho
Amigos… sou eu que vos valho
 Mas a vida é um momento!
­_ Não façam alusão ao amor!
Não se iludam, por favor

Paro deste agradável sonho:

Sinto, cá dentro, uma calma e um testemunho de amor
… Quero que todos os dias e pessoas tenham o mesmo valor 
A mãe Terra, não escolheu dias, nem meses, nem pessoas especiais,
 Nascemos nus… iguais...        
Por quê virá o Homem convencer-nos de que há pessoas…, até órgãos e dias desiguais?

Mês de Maio
Mês de Maria
Mês do coração
Mês do trabalhador,
E de quem mais for…

Dizem mês do coração
E hoje dizem dia da Mãe!
Não importa de mais Quem…!?
E os outros meses que aí vêm?
Direitos naturais, ao Todo
A cada mês, a cada dia                               
A cada minuto, a cada segundo
Nesta caminhada, nesta partilha
Por este sítio do Mundo…
Não interessa o dia                
Não interessa a raça
Não interessa o posto, a graça
Não interessa o carácter, a hierarquia, a cor
Interessa SIM
Interessa SEMPRE
O saber viver em AMOR!      



maria guida

terça-feira, 3 de maio de 2011

Aromas



 A vida oferece-me aromas
 Que não têm explicação
 Onde não cheirava nada,
 Vem cheiro do coração

Estou eu comigo e o aroma está cá
Vou dar uma volta e o cheiro está lá
Isto não me acontece sempre
É, de vez em quando um presente.

Tenho um olfato apurado,
 Nesta escola da vida
Às vezes chamo-o malvado
Por não explicar tal partida

São os aromas de amigos
Da Terra e doutra dimensão
Daqueles que me são queridos
E comigo sempre estão

Que bom sentir a presença
Esta energia aromática
O nariz a pôr sentenças
Nesta rodada tão prática

Em cada perfume eu vejo um sentimento
Em cada flor, eu vivo cada momento
Em cada chilreio,
Eu enleio…
Em cada rosmaninho
Eu espicaço o meu simples caminho

Isto não são aventuras,
Nem ilusões,
Nem alucinações
Nem histórias,
Nem insónias...

Ora bolas:
_ Será isto inteligível?
_ Onde fica o mundo crível?

maria guida



terça-feira, 26 de abril de 2011

Mel puro, puro mel.



Semana da Páscoa, chuva na aldeia
O dono ansiava examinar a colmeia
No sábado aleluia, o sol já espreitava
Todos atarefados, na casa da cunhada
Neste aconchego, com aroma de tanta flor
Surge em fatiota, o brioso apicultor!
Homem dos sete ofícios, não consegue estar parado
As abelhas, um dos vícios, que ele cuida aprumado

São enxames, em especial habitat
Poluição ao redor?_Claro que não há!
Rainhas jovens e sempre saudáveis
E tantas operárias, fêmeas hábeis
Em campos silvestres banhados plo rio
São estas colmeias, de puro mel e brio…

Todo o ano temos mel para afinar a garganta
De amigos para amigos, a sua procura é tanta!

Cada um que o prova, agora
Todos anos, sem demora
O procura outra vez
_É puro mel, só bem fez!
Em tempo de constipações
Livrou-nos de aflições…
E, quando dele, já não há nem sinais…
_ Puxa! Por quê, não pedi eu mais?

Para a dor de garganta, não ser uma seca
Todo o ano,tomo mel, das abelhas do tio Zeca.


maria guida



sexta-feira, 22 de abril de 2011

Noutra onda vim marulhar

Noutra onda vim marulhar
Ao encontro de outro ar
Rumo ao sítio que me viu nascer
Ao concelho que me viu crescer
Ao altar que me viu casar
Aos amigos que encontrar
À casa onde feliz pari
À ventura que vivi
Ao local que também me viu chorar
E um dia, revoltada, abalar
Por querer e por amar…

Hoje, Aqui…                                          
Sinto-me criança à chuva, neste lugar
A s nuvens de Abril, vêm-me beijar
Oiço o pio do amigo mocho
O ranger do tronco chocho
As giestas escondem-me nesta laje
Tenho o meu âmago no auge!
Cheiro o aroma das flores silvestres
Que me fazem lembrar de mim
De minha infância, das minhas vestes!

…Aqui sozinha…
Tenho saudades de tudo, de vós
DE Ti e dos meus avós
Sonho acordada, olho em redor
E o bosque pergunta-me curioso
Em sussurro invejoso…:
_ Conheces-nos?
_ Melhor que o meu coração…

Sinto que em mim nada rima
Mas o meu coração prima
Em estar hoje aqui, sentada
Saboreando toda a jornada
Absorvo esta energia e iço
Tudo para mim parece feitiço
E desabafo -vos,soberbo arvoredo...
Cada passada, sem medo.


_ Vós sois os amigos que comigo cresceram,
Me refrescastes, quando os dias aqueceram
 Debaixo de vós me deixastes brincar
 Me encorajastes, a saber projectar…
 Me salpicastes de neve, em tempo de Invernia
 Em torno de vosso amor eu vivia

Hoje, como dantes, aqui estais erguidos
À chuva, ao sol, ao vento…
E até aos bandidos…

Como eu vos entendo, como vos admiro!
A vossa inveja é o desejo de virdes comigo!
Na vossa altivez, meu abraço, tudo encerra
Aliás…
Somos filhos, da mesma mãe terra

Enquanto meu cérebro de mim se lembrar
Os vossos troncos, eu virei abraçar
Porque é este ar, é o vosso respirar
Que cada dia emerge em minha mente
E me incentivam a desejar viver eternamente
Este encantado, absorto e perfumado presente.

Dará para esquecer o local onde, quando e por quê…
…Um dia nascer
… Crescer
… E
Se aprendeu a “ Ser”?

maria guida

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Em época da lampreia.




        
Desta mente não sai nada
Será que estou encalhada?
Ou seria da lampreia
Que preparei para a ceia?

Raio de cilindro alongado
Pôs-me o cérebro em mau estado
Eu agarrava-lhe a ponta
Escorregava-me, feita tonta
Escaldei-a na panela
E depois é que foi ela
A viscosidade era tanta
Que me fez pintar a manta…

Levou tanta esfregadela
E só entrou na panela
Prá famosa cabidela
Após tamanha barrela

Pedis, das melhores especiarias
Sem elas, não há iguarias
Pedis, tinto verde, maduro e vinagre
Bem ao gostinho do abade
Calicezinho do porto
E um pau de louro torto
Não vá o diabo tecê-la
E vossa fama, perdê-la!

Quem tão cara, vos atura
Neste tempo de conjuntura?

Essa vítrea cristalina
Do corpo, olho e narina…,
As sete fendas branquiais
Por onde toda sangrais…
Ai! …tudo me arremina…
Coisa esguia, feita fina!
Se não fosse o consorte
Por aqui não tinhas sorte
Se não fosse pla famelga
Não cozinhava esta melga…

Ais, não me levem a mal
Que eu pró ano ralho igual


   Desabafos da cozinheira...

maria guida